quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Azul


Um dia triste desses,quis entrar naquele bar bonito,de esquina e beber um vinho,desses baratinhos,porém fui barrada por ser menor de idade. Então fui pra casa beber coca-cola. Era o que tinha pra me embriagar. Nada mais auto-destrutivo do que aquele gás que sai de você,pela boca e pelo nariz,causando uma mistura de ardência e pré-infarto.
 Cobri os espelhos do meu quarto,pois não gostava de dar de cara comigo mesma de surpresa,logo mais com cara de loser.  Costumava me prender a ilusão para não lembrar do que guardo nas gavetas e do que faço nos banheiros. Um história um pouco clichê,mas que causa grandes resultados. De pouco em pouco,até o grand finale!
Não mudaria nada do meu passado. Mudaria do passado dos outros. Por causa dos outros,eis eu aqui! Deitei na cama de barriga pra cima,fiquei olhando o teto branco e a lâmpada apagada. Um silêncio. Um suspiro. Tentador. Selecionei aquelas pessoas que durante 16 anos foram importantes. Minha mãe, uma amiga e duzentos amores platônicos.  Pensei no meu pseudo namorado que só gostava de mim porque eu abria as pernas para ele. Ele não era importante. Não,mentira,ele era. Mas ele não sabia e não deveria saber,apenas mais uma injustiça dessas da vida. Eu amava o cara que só atendia minhas ligações porque queria gozar.  É o amor. É,eu realmente deveria ir.
Então eu levantei e fui até o quarto da minha mãe. No banheiro dela,vários desse remedinhos pra dormir – como minha vida é clichê – e então pensei melhor e lembrei que eu não teria paciência de esperar 20 comprimidos fazerem efeito. Durante o tempo de espera eu poderia me arrepender. Teria que ser algo rápido,2 segundos! Foi então que o telefone tocou. Era ele,estava querendo o de sempre.  Nesse momento eu me senti uma puta. Meu amor era meu cafetão. Fiquei seriamente em dúvida se valeria a pena trocar o fim por mais uma decepção. Porém,uma decepção a mais seria um forte incentivo para saltar na frente daquele ônibus de viagem azul, bonito. Então eu fui.
Chegando lá,um oi-meu-amor da parte dele e um e-aê-meu-bem da minha. O Carinho dele se comparava aqueles elogios de filhos para  a mãe,quando a criatura quer pedir alguma coisa. Eu só tinha 16 e minha vida já era regada a casos com homens considerados cafajestes. Eu não era uma promíscua,mas sempre tive a idéia de que não podia negar os meus desejos. Enfim,ele tirou minha roupa e a dele,e quase chorei por achar aquilo tão romântico. Triste por saber que depois de uma hora,ele mudaria. Eu deveria estar acostumada. Ele começou com o de sempre. Beijava-me da cabeça aos pés com uma longa parada no meio das pernas,depois  penetrava e ficava até se satisfazer totalmente. Isso era nos dias em que ele estava muito na vontade. Quando ele estava mais tranqüilo,eu tinha a oportunidade de usar minha boca para outros fins. Ele era um bom rapaz na cama. Mas,obviamente,nada que me desse vontade de sobreviver com aquilo para sempre. Uma hora eu iria embora,catando os pedaços do meu coração e da minha vida,mas eu iria embora.
Depois do sexo,um banho,um beijo,descer escadas e um tchau,te ligo  muito mentiroso.
Não quis voltar pra casa,então segui em direção ao bar bonito que eu não podia entrar. No semáforo mais próximo estava parado aquele ônibus de viagem bonito,azul, que eu nunca entrei,louco para acelerar. Caminhei até a faixa de pedestres,quando olhei para cima,o semáforo havia ficado verde,logo pensou o motorista do ônibus: hora de ir! Concordei e abaixe-me para amarrar os cadarços do meu tênis de marca falsificada.
                                       *        *          *  

--  E Tu soube?
- Do quê?
- Da Alice,mulher,aquela mocinha que mora na casa verde,morreu ontem!
-  Sério?!  E como foi isso?
-- Atropelada por aquele ônibus azul,todo chique,de viagem.
-- Nossa,coitada..
- É, a única coisa que não ficou com marca de pneu foram os chinelos que ela estava calçada,porque o resto,minha querida... enterro de caixão fechado!
-- Que triste,mulher... mas,então, tu viu a novela ontem?



Priscilla Way.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

G.


Dessa vez não faço uma "poesia" ou uma carta daquelas que alguém tem guardado. Dessa vez é como se fosse um "adeus" forçado. Com lágrimas nos olhos,eu lembro de toda uma amizade,cheia de coisas novas,nada de clichês. Conheci alguém que me fez abrir a boca e elogiar: Incrivel! 
Parece até que todo esse tempo,nossa amizade tinha prazo de validade e ninguem me avisou. 
Se não der mais certo,meu muitissimo obrigada por me fazer ser especial naquele tempo,por me ouvir e zombar de  meus dramas pra não nos deixar constrangidos. Obrigada pela inspiração,pelas conversas,pelas loucuras.

Expondo isso para que você possa saber dessa minha saudade de novo,porém sem dizer que eu estou "viajando".

P. Way

sábado, 12 de outubro de 2013

Rei Ar.




Ansiedade quase define
tô com saudade dos segredos
dos amigos,dos desejos
a vida com o lado bom
ruim voltar às 17h.
quando se quer ficar a vida toda.

PWay.