quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Alice II


Alice,amante dos não merecedores de amor. Teimosa? Burra? Ou apenas uma adoradora de sujeitos sem caráter. Ou seria ela sem caráter?
Alice,a que adorava um entrelaçar de pernas às quatro da tarde,quando o sol já não mais batia na janela dele,a que adorava também o cheiro de pele. Há os que a chamavam de vagabunda,mas o que seria pior do que negar os próprios desejos?
Ela não transava,ela não fazia amor – com ele,era impossível – ela não “dava”. Ela se realizava. Aproveitava enquanto a Rainha de Copas tinha ido ao salão de beleza – cortar cabeças? – aproveitava, muito.

-- seria eu,mesmo,uma indecente? Os outros dizem que sim,meus desejos gritam que não. Fala mais quem grita. O corpo é meu,meu corpo é teu.

A madrugada,momento mais “orgasmos mentais” dela,proporcionava sempre novas ideias. Um tanto absurdas,as vezes. Ménage avec Chapeleiro? Louca!
Mas,naquelas tardes de Abril,tentava se “realizar” com Ele mesmo.

-- É o que tem pra hoje. – pensava,desprezando,quando na verdade,o sentimento que ali havia por aquele ser,a fazia suar,tremer,gemer mais do que qualquer orgasmo que Ele a fizesse ter.
Não negava o desejo,mas negava o amor. É,talvez,ela fosse uma puta mesmo. Mas,certeza,que Ele era filho de uma.

-- Filho da Puta!

Alice se arrastando,Alice correndo atrás, Alice ligando a cada minuto. Alice dos tempos atuais.
Alice,a desprezada. Pelo filho da puta.
Então,talvez,não fosse tão puta. Fosse burra,é. Burra Apaixonada – seria isso um pleonasmo? – Ele não a merecia. Nem seus desejos. Muito menos seu amor.
Mas,então,quem a merecia?

Anuncio no jornal: Alta,magra,cabelos pretos,olhos claros,mente aberta,não nego desejos,as vezes,nego amor,por medo,carinhosa,atenciosa,vou até o fim pra ver aonde vai dar. Leio,escrevo,ouço,falo,calo,estudo,trabalho,tenho ideias,ganho meu dinheiro. Fico,namoro,caso,não garanto ter filhos,mas se os tiver,serei...alta,magra,cabelos pretos,olhos claros,não nego desejos.

Alguem?


Priscilla Way.